O Papa veio ao nosso lar. E quem vem ao nosso lar, faz (mais) parte de nós. Conta-nos os seus desejos e segredos, nós partilhamos as nossas expectativas… Sentimos que nos falamos nos olhos, para tocar os corações. E para que muito se traduza nas atitudes. Bento XVI intuiu e desafiou.
A uma Igreja sem medo do compromisso global, aberta ao contributo de outros, numa aparente debilidade, que é, afinal, vitalidade e riqueza profundas. À ética da verdade em crise, para que a vida não se perca em labirintos incapazes de assumir valores e delinear objectivos grandiosos. A uma esperança alicerçada, que renuncia à superficialidade da velocidade actual, para ter memória e sonhar futuro. Ao anúncio entusiasta e alegre do mandamento do amor e do mistério pascal. Ao empenhamento irradiante e evangélico dos cristãos no mundo, na família, na economia, na cultura, na política. A não fazer do mundo um confronto entre sistemas laicos e religiosos, mas uma plataforma de diálogo, que não renuncia à identidade essencial. A exorcizar o medo do encontro com Deus. A produzir coisas belas, mas a tornar a vida lugar de beleza.
Nesta festa da Ascensão, Jesus coloca nas nossas mãos o presente da Criação inteira, que continua a acontecer. Para que cada um assuma ser protagonista e não espectador consumista. Da manutenção à criatividade, da prudência ao risco, da igreja ao mundo, do julgamento à reconciliação, da história à Eternidade. Por todos e com todos, até Deus!
P. Luís Francisco
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